A liquidação de títulos levou os rendimentos do Treasury de 10 anos dos Estados Unidos para perto de 5% nesta sexta-feira (11). O movimento reflete temores inflacionários causados pela alta do petróleo, que superou US$ 100 por barril, e a expectativa de aumento nas taxas de juros pelo Federal Reserve na próxima semana.
No pregão asiático, o rendimento do Treasury de 10 anos subiu para 4,979%, o nível mais alto desde o final de 2023. Analistas consideram a marca de 5% um limite crítico que pode tornar os títulos mais competitivos que as ações, retirando capital dos mercados acionários. O cenário é agravado por dados de preços ao produtor nos EUA que subiram em agosto.
Os rendimentos de referência de 10 anos para as economias do G7 subiram, em média, quase 19 pontos-base nesta semana. Já os títulos de dois anos, mais sensíveis a mudanças na inflação, registraram alta média de 22 pontos-base, com maiores aumentos em países importadores de energia, como Reino Unido e Itália.
O custo mais alto do dinheiro impacta diretamente o consumidor final, resultando em taxas de hipotecas, financiamentos de automóveis e empréstimos corporativos mais caros. Governos também enfrentam dificuldades maiores nos gastos devido ao aumento dos custos da dívida pública nos mercados desenvolvidos.
No Japão, a taxa dos títulos públicos de 10 anos subiu 6 pontos-base, atingindo 2,97%. A expectativa é que o Banco do Japão eleve os juros para o maior nível em 31 anos na próxima semana. Na Europa, os títulos alemães de 10 anos subiram para 3,503%, enquanto os franceses ficaram em torno de 4,429%.
O Banco Central Europeu elevou os juros na quinta-feira e alertou que as pressões sobre os preços podem ser duradouras. A instabilidade é alimentada por conflitos no Oriente Médio, que já dura mais de seis meses, e por déficits fiscais persistentes.

