O número de pessoas que trabalham exclusivamente por meio de plataformas digitais no Brasil cresceu 36,8% em três anos, saltando de 1,3 milhão em 2022 para 1,8 milhão em 2025, segundo a terceira edição da pesquisa Trabalho por meio de plataformas digitais, divulgada nesta sexta-feira (4) pelo IBGE.
O estudo, realizado em convênio com a Unicamp e o Ministério Público do Trabalho, mostra que a participação desses profissionais no mercado de trabalho subiu de 1,5% dos ocupados no setor privado em 2022 para 2% em 2025, em um universo de 89,6 milhões de pessoas. No último ano, o avanço desse grupo foi de 9,1%.
O segmento de transporte particular de passageiros concentra a maior fatia do mercado. Em 2025, motoristas de mobilidade somavam 1,036 milhão de pessoas, contra 752 mil em 2022, o que representa uma alta de 37,8%. Já o setor de entregas de comida ou produtos registrou salto de 18,61% entre 2024 e 2025, chegando a 325 mil trabalhadores.
A categoria de serviços gerais ou profissionais, que inclui desde reformas e faxinas até engenharia e design, teve o maior crescimento proporcional no período total. O grupo saiu de 193 mil pessoas em 2022 para 300 mil em 2025, alta de 55,4%. O IBGE informou em nota técnica que, apesar do crescimento, ainda há predomínio das atividades de transporte e entrega no país.
A região Sudeste detém a maior parcela desses profissionais, com 1,08 milhão de pessoas, o que equivale a 55,3% do total nacional. A pesquisa também contabilizou quem utiliza os aplicativos como atividade secundária, somando 182 mil pessoas. No total, cerca de 2 milhões de brasileiros utilizam plataformas digitais para trabalhar.
A edição de 2025 da Pnad Contínua incluiu, pela primeira vez, a investigação sobre o trabalho secundário para complementação de renda. O levantamento também passou a medir a dependência do trabalhador em relação às plataformas, a frequência de uso e a utilização de e-commerce por empregadores e trabalhadores por conta própria.


