O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (2) que mantém uma “boa relação” com o Brasil. A declaração acontece enquanto os dois países tentam retomar o diálogo comercial, após uma conversa telefônica de aproximadamente 80 minutos entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada em agosto.
A manifestação ocorre em um período de reaproximação entre os governos, após meses de tensão causados por tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Na ligação de agosto, os presidentes discutiram a relação comercial, o combate ao crime organizado e conflitos internacionais. O governo brasileiro classificou o contato como cordial.
Durante a conversa, Lula defendeu a volta das negociações comerciais e questionou as justificativas americanas para a aplicação das tarifas. Após o diálogo, representantes de ambos os governos reabriram canais formais de negociação. A equipe de Trump recebeu determinação para buscar um acordo com o Brasil sobre as cobranças e outros pontos bilaterais.
Apesar da retomada do diálogo, não houve anúncio de acordo definitivo ou alteração nas tarifas aplicadas. O governo brasileiro tenta ampliar a lista de produtos isentos das taxas, que atingem uma parcela relevante das exportações e são o principal ponto de atrito entre as nações.
A relação bilateral também foi impactada por divergências políticas. Integrantes do governo Trump criticaram decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), a atuação de autoridades brasileiras e o sistema eleitoral. O governo Lula defendeu a soberania do país e afirmou que decisões internas cabem às instituições nacionais.
O presidente brasileiro também defendeu a confiabilidade do sistema de votação do Brasil durante a ligação. Segundo a apuração, o tema eleitoral não foi o assunto principal da conversa, que focou na tentativa de reconstruir as relações entre os dois governos.


