O presidente Donald Trump declarou, neste domingo, que reviveu e salvou a indústria automobilística dos Estados Unidos por meio da aplicação de tarifas. No entanto, dados do setor e especialistas indicam que a produção, as vendas e o nível de emprego no segmento declinaram desde que o republicano retornou à Casa Branca.
A tensão escalou após o governo revogar a isenção de tarifas sobre peças automotivas, prevista no acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA). A medida eleva as taxas para 50%, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2027. Em resposta, o Canadá implementará tarifas recíprocas de até 50% no dia 8 de setembro de 2026.
Flavio Volpe, presidente da Associação de Fabricantes de Peças Automotivas do Canadá, afirmou que a indústria não precisava de socorro em 2024, quando americanos compraram cerca de 16 milhões de veículos. Segundo Volpe, a integração industrial de 60 anos torna impossível que um país prejudique o outro sem impor custos significativos a si mesmo, já que peças costumam cruzar a fronteira até oito vezes antes da montagem final.
O impacto financeiro já atinge as grandes montadoras. A Ford estimou custos de US$ 1 bilhão relacionados a tarifas em 2026. A empresa registrou queda de 10% nas vendas no segundo trimestre de 2026. A General Motors também reportou recuo de 6,8% nas vendas no primeiro semestre do mesmo ano.
A análise do Royal Bank of Canada (RBC) aponta que o Canadá é o maior mercado de exportação de produtos automotivos dos EUA, com trocas que somaram US$ 100 bilhões em 2026. O relatório indica que a dependência canadense de veículos fabricados nos EUA caiu de 49% na década anterior a 2025 para 36% nos primeiros 10 meses de 2025, com migração de compras para México e Coreia do Sul.
Michigan deve ser o estado mais prejudicado, concentrando 18,1% da produção nacional de veículos no segundo trimestre de 2026. O estado abriga as sedes da Ford, General Motors e Stellantis, além de 55 fábricas de peças de capital canadense que empregam quase 20 mil trabalhadores.
Trump defendeu a política nas redes sociais e citou a planta da Ford em Dearborn como exemplo de sucesso, alegando que a fábrica operaria 24 horas por dia graças à sua gestão. A empresa confirmou a expansão para três turnos, operando 24 horas por dia, seis dias por semana, mas não há evidências de que a unidade estivesse prestes a fechar em 2022.


