O governo de Donald Trump anunciou, no domingo (31), que nove empresas farmacêuticas de médio porte aceitaram reduzir os preços de medicamentos pagos pelo programa Medicaid. Com a nova adesão, o total de companhias que concordaram com a política de preços de “nação mais favorecida” subiu para 26, abrangendo 90% dos remédios utilizados nos Estados Unidos.
Pela regra estabelecida, o Medicaid pagará pelos fármacos os mesmos valores praticados em outros países, com foco em mercados europeus. O presidente afirmou em coletiva que os americanos pagaram, por décadas, os preços mais altos do mundo, mas que agora o país paga o valor mais baixo praticado internacionalmente. Parte desses preços também estará disponível no portal TrumpRx.gov para pacientes que optarem pelo pagamento em dinheiro.
As novas signatárias são Alcon, Astellas Pharma, BeOne Medicines, BridgeBio, CSL, Kyowa Kirin, Sun Pharma, Teva Pharmaceuticals e UCB. Elas se somam a 17 empresas que já haviam fechado acordos no final de 2025. Em contrapartida à redução de preços e ao compromisso de transferir parte da produção para território americano, as companhias receberão isenção de tarifas farmacêuticas.
Especialistas indicam que a medida beneficia a saúde fiscal do programa governamental, mas não altera significativamente os custos para os pacientes, já que a maioria dos usuários do Medicaid já paga valores baixos. Luca Maini, professor da Harvard Medical School, explicou que o principal ganho é financeiro para o Estado, embora o montante exato da economia seja desconhecido porque os termos dos acordos não são públicos.
Um estudo publicado no JAMA em julho estimou que a política, com as primeiras 17 empresas, geraria economia anual de US$ 8,6 bilhões ao Medicaid. Contudo, o professor Thomas Hwang, do Brigham and Women’s Hospital, alertou que a economia pode ser temporária, pois a indústria tende a elevar preços em outros países para inflar a base de comparação dos EUA.
Hwang argumentou que o acordo pode ser desvantajoso para os contribuintes, pois as empresas sugeriram em relatórios financeiros que a adesão ao Medicaid as isentaria de reduzir preços no Medicare, programa de maior escala. O professor afirmou que a redução real de custos para a população exigiria que o Congresso permitisse ao Medicare negociar preços diretamente com os fabricantes.

