O governo dos Estados Unidos negocia a obtenção de uma participação significativa nas reservas de petróleo da Venezuela por meio de uma parceria entre o Departamento de Defesa e o investidor Alejandro Betancourt López. O acordo, anunciado por Donald Trump na última sexta-feira, foca em até 17 campos de petróleo nas principais bacias venezuelanas.
O Escritório de Capital Estratégico (OSC), órgão do Pentágono, seria a agência responsável por supervisionar o investimento. Uma das modalidades discutidas prevê que os EUA obtenham a concessão de áreas petrolíferas por 100 anos. O acordo daria ao governo americano a opção de adquirir até 35% da North American Blue Energy Partners, empresa controladora de Betancourt, via instrumentos financeiros conhecidos como warrants.
Segundo a Casa Branca, a operação será realizada sem custos para os Estados Unidos. Os instrumentos financeiros, descritos como “penny warrants”, permitiriam a conversão em ações por valores baixos, como um centavo. O governo americano teria, ainda, acesso preferencial a grande parte do petróleo produzido pela companhia.
A estratégia ocorre após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro e a ascensão de Delcy Rodríguez. Trump defende a reconstrução da indústria petrolífera venezuelana em um cenário de alta nos preços globais de energia, causada pela guerra dos EUA com o Irã e interrupções no fornecimento do Oriente Médio.
Os campos em discussão incluem a área de Junín, na região do Orinoco, e localidades no entorno do Lago Maracaibo. Betancourt, que atua como intermediário entre os dois países, afirmou que a parceria beneficiaria tanto venezuelanos quanto americanos.
A medida enfrenta críticas no Congresso. O senador Jack Reed, de Rhode Island, classificou a tentativa de transformar as Forças Armadas em investidor de petróleo como um “abuso flagrante de poder”. O parlamentar questionou a autoridade legal do OSC para assumir participações acionárias diretas, já que o órgão não teria autorização explícita para tal função.
O OSC é subordinado a Stephen A. Feinberg, vice-secretário de Defesa. Criado em 2022, o escritório teve sua autoridade para empréstimos ampliada de US$ 1 bilhão para US$ 100 bilhões após legislação aprovada em julho de 2025. Recentemente, o órgão concedeu financiamentos a empresas de minerais críticos, como a Vulcan Elements, que possui vínculos financeiros com Donald Trump Jr.


