O governo de Donald Trump anunciou planos para acelerar a recuperação da indústria petrolífera da Venezuela, mas bancos e consultorias do setor indicam que a expansão da produção pode levar décadas. O país detém cerca de 300 bilhões de barris em reservas comprovadas, embora produza atualmente 1,1 milhão de barris por dia.
A Casa Branca informou que a North American Blue Energy Partners pretende investir até US$ 100 bilhões para ampliar a produção em 17 campos venezuelanos, que somam 65 bilhões de barris em reservas. O governo americano terá 35% de participação na empresa, além do direito de comprar 20% da produção a preço de custo e preferência sobre o restante.
A Rystad Energy estima que a Venezuela só recuperará seu antigo pico de produção, próximo de 3 milhões de barris por dia, por volta de 2050. Para atingir esse nível, seriam necessários investimentos de cerca de US$ 85 bilhões. O cenário contrasta com a visão do secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, que afirmou que a produção pode superar 2 milhões de barris diários até o fim desta década.
A infraestrutura do país foi prejudicada por sanções, interrupções de energia e anos de subinvestimento. A Chevron anunciou aportes superiores a US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos para elevar sua produção para 600 mil barris por dia. A Repsol sinalizou intenção de ampliar presença, enquanto ExxonMobil e ConocoPhillips mantêm cautela sobre um possível retorno ao país.
Existem impasses jurídicos e políticos sobre as concessões. Segundo o UBS, a transferência de campos anteriormente administrados por companhias russas e chinesas para empresas dos Estados Unidos pode gerar disputas. O Citi avalia que falta transparência e legitimidade política para que os contratos resistam a mudanças no governo americano.
A duração dos acordos também é divergente. Washington defende concessões de cem anos, enquanto o governo de Delcy Rodríguez menciona uma cessão preferencial de 25 anos.


