O presidente Donald Trump prometeu pagar US$ 5 mil a cada cidadão adulto dos Estados Unidos caso os republicanos mantenham o controle da Câmara dos Representantes e do Senado nas próximas eleições de meio de mandato. O anúncio foi feito durante a convenção do Partido Republicano, em Dallas, nesta quarta-feira (10).
Trump afirmou que o dinheiro, denominado “dividendo Trump”, deverá ser gasto dentro dos Estados Unidos, embora não tenha detalhado como a restrição será aplicada. O presidente comparou a medida a uma distribuição de dividendos de uma empresa bem-sucedida aos seus acionistas. A Casa Branca não comentou os detalhes da proposta, mas o porta-voz Davis Ingle declarou que o presidente continuará entregando “resultados reais”.
Dados do Census Bureau indicam que o país possui cerca de 240 milhões de cidadãos adultos, o que elevaria o custo da medida a aproximadamente US$ 1,2 trilhão. A proposta poderá ampliar o déficit federal, que somou quase US$ 1,8 trilhão no ano fiscal de 2025, e aumentar as pressões inflacionárias. O vice-presidente J.D. Vance sugeriu que americanos ricos não qualificariam para o benefício e que a verba poderia vir de receitas de tarifas.
A medida depende de aprovação do Congresso. O líder da maioria no Senado, John Thune, disse estar aberto à ideia, mas questionou se haveria apoio suficiente para a votação. Já o senador Bernie Moreno, da Ohio, endossou o plano e afirmou que preparará a legislação para aprovação imediata após o pleito. No entanto, parlamentares republicanos como Chip Roy e David Schweikert manifestaram ceticismo sobre a viabilidade financeira e o impacto econômico.
Críticos, incluindo o ex-governador do Arkansas Asa Hutchinson e Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, alertaram que o esquema pioraria a dívida nacional de US$ 40 trilhões. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, acusou Trump de tentar “subornar o povo americano por seus votos”.
O anúncio ocorre em um momento de queda na popularidade de Trump, cujo índice de aprovação caiu de 47% no início do mandato para 33% em agosto, segundo pesquisa Reuters/Ipsos. O cenário é marcado por insatisfação com a economia e a guerra no Irã, que já dura sete meses.

