O embargo da União Europeia (UE) a produtos de origem animal do Brasil entrou em vigor nesta quinta-feira (3). A medida atinge exportações avaliadas em US$ 1,84 bilhão em 2025, concentradas em carnes bovina e de frango, devido à falta de garantias brasileiras sobre a ausência de substâncias antimicrobianas no processo produtivo.
A carne bovina representou US$ 1,05 bilhão do total afetado em 2025, enquanto a de frango somou US$ 763 milhões. Segundo dados do Ministério da Agricultura, a UE era destino de 5,8% das exportações de carne bovina e 8% das de frango no ano passado. A Comissão Europeia não estabeleceu prazo para a suspensão da proibição.
O veto ocorreu após o governo brasileiro não apresentar comprovações sobre a não utilização de substâncias que estimulam o crescimento animal ou antimicrobianos reservados a humanos. Para o bloco europeu, o uso excessivo desses medicamentos pode criar bactérias resistentes, dificultando o tratamento de infecções em pessoas. Especialistas indicam que a medida não decorre de irregularidades na carne, mas da insuficiência do controle nacional.
Para tentar reverter a situação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, visando criar um mecanismo bilateral de comércio. Uma missão de técnicos europeus inspeciona sistemas de produção de mel e carne de frango no Brasil até sexta-feira (4), mas um porta-voz da Comissão Europeia informou que não há decisões imediatas.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirma que a avicultura cumpre os requisitos da UE, embora o bloco negue ter recebido as comprovações estatais. Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) declarou que 100% de suas empresas habilitadas ao mercado europeu aderiram a um protocolo privado de controle de antimicrobianos.
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil exportou US$ 560 milhões em carne bovina e US$ 680 milhões em carne de frango para a UE. Os principais destinos são Itália, Países Baixos, Espanha e Alemanha. A Abiec ressaltou que a União Europeia é um mercado estratégico por demandar cortes de alto valor agregado, sem substituição automática por outros destinos.


