A União Europeia (UE) concedeu, nesta quarta-feira (9), uma ajuda emergencial de €114,7 milhões (R$ 680 milhões) à Espanha para apoiar a gestão da cidade autônoma de Ceuta. O recurso visa enfrentar as consequências da chegada de mais de 70 mil migrantes vindos do Marrocos nos dias 30 e 31 de julho.
Segundo a Comissão Europeia, os fundos serão destinados ao reforço da vigilância nas fronteiras, compra de equipamentos como câmeras térmicas e mobilização de pessoal. O pacote prevê ainda o apoio ao retorno de imigrantes irregulares e a ampliação da capacidade de acolhimento para menores desacompanhados.
A crise registrou dezenas de mortos e desaparecidos durante as travessias a pé ou a nado. Embora a maioria tenha retornado, o governo de Pedro Sánchez estima que 5 mil pessoas permaneçam na cidade, enquanto autoridades locais de Ceuta apontam que esse número chega a 10 mil.
O presidente da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas, solicitou o auxílio à UE na terça-feira (8) e acusou o Marrocos de estar por trás da movimentação, seja por ação ou omissão. Sánchez declarou que não houve provas sólidas de que o governo marroquino tenha planejado a entrada em massa.
A Justiça espanhola abriu investigação na segunda-feira (8) após o vazamento de um relatório policial que aponta a permissividade das forças de segurança do Marrocos. Documentos do Cenif, divisão de fronteiras da Polícia Nacional, indicavam comunicações internas entre grupos de imigrantes para organizar a entrada na noite de 29 de julho.
O Cenif reportou quase mil travessias a nado entre 1º e 28 de julho, volume que consolida uma tendência de alta em relação ao ano anterior. O governo espanhol suspendeu o sigilo de 40 documentos sobre a situação da fronteira nesta quarta-feira (9).


