A União Europeia (UE) suspendeu temporariamente a importação de carnes bovina e de aves, ovos e mel produzidos no Brasil. A Comissão Europeia determinou a medida sob a justificativa de que o país não apresentou garantias suficientes sobre o cumprimento de normas contra o uso abusivo de antibióticos e antimicrobianos na pecuária.
A restrição é de natureza regulatória e burocrática, não envolvendo riscos biológicos ou problemas sanitários de contaminação. A política do bloco visa conter o avanço de superbactérias, proibindo substâncias que funcionem como promotores de crescimento animal ou medicamentos reservados para infecções humanas. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que a medida não altera a segurança ou a qualidade do produto nacional.
Apesar do embargo, a expectativa é que os preços da carne nos supermercados brasileiros não caiam no curto prazo. Importadores europeus anteciparam compras para formar estoques, o que evitou o acúmulo de produtos no mercado interno. As vendas de carne de frango para a UE, por exemplo, saltaram 73% entre janeiro e julho, com embarques mensais superando 30 mil toneladas no primeiro semestre. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que o risco de pressão imediata nos preços do varejo é baixo.
Empresas listadas na B3, como JBS e Marfrig, utilizam a diversificação geográfica para mitigar perdas, operando plantas nos Estados Unidos e na Austrália para atender clientes europeus. O Brasil faturou US$ 1,8 bilhão com exportações de carne bovina e de frango para o bloco no ano passado, mas mantém a China como principal comprador. Técnicos do governo e do setor já apresentaram novas camadas de fiscalização para tentar reverter o veto.
Em resposta, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Itamaraty a ativação do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões (MRC) para aplicar retaliações comerciais. O presidente da entidade, João Martins, pediu ao Ministério da Agricultura uma investigação sobre a qualidade e a classificação de azeites de oliva importados. A medida atinge diretamente a União Europeia, origem de 89% do azeite importado pelo Brasil, com destaque para Portugal, Espanha e Itália.


