A União Europeia suspendeu, desde quinta-feira (3), a importação de produtos brasileiros de origem animal destinados ao consumo humano. A decisão atinge as exportações de carne bovina, frango, ovos, mel e tripas, após a Comissão Europeia retirar o Brasil da lista de países em conformidade regulatória.
O bloco exige garantias de que os animais não recebam medicamentos de uso humano ou antimicrobianos para crescimento. No caso da carne bovina, a União Europeia demanda controles rigorosos durante todo o ciclo de vida do animal.
O governo brasileiro negociou com o bloco e elaborou um protocolo de certificação, mas não evitou a suspensão. A medida não foi motivada por irregularidades em lotes específicos, mas por um impasse nos mecanismos usados pelo Brasil para comprovar o cumprimento das normas europeias.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) previu prejuízos imediatos. A entidade defende compensações ou a suspensão proporcional de concessões tarifárias aos europeus, além de ter solicitado ao Senado uma audiência pública com o Itamaraty, o Ministério da Agricultura e o Ministério da Indústria.
Em 2025, os setores afetados exportaram US$ 2,026 bilhões para a União Europeia. A carne bovina representou US$ 1,064 bilhão e a de aves, US$ 781,4 milhões.
A União Europeia responde por 3,7% do volume de carne bovina exportado pelo Brasil e 5,8% da receita. O valor pago pelo bloco é de cerca de US$ 10 por quilo, superior à média de US$ 6,50 praticada pela China.


