O governo federal expressou, nesta quinta-feira (3), profunda preocupação com a decisão da União Europeia (UE) de suspender as importações de carne bovina, aves e outros produtos de origem animal do Brasil. O embargo ocorreu após o país ter sido excluído, em maio, da lista de nações que cumprem as regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.
A medida entrou em vigor sob pressão da indústria pecuária europeia, após a assinatura de um acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul. O tratado foi assinado em janeiro deste ano e passou a vigorar de forma provisória em maio. A suspensão das compras também atinge exportações de mel e ovos.
Em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura e Pecuária informaram que o governo do presidente Luiz Inácio Lula avalia a adoção de medidas de reciprocidade caso não haja uma solução satisfatória. O governo brasileiro rebateu a decisão e afirmou que já implementou as medidas necessárias e apresentou a documentação pertinente às autoridades europeias.
Olof Gill, porta-voz de Comércio da Comissão Europeia, disse nesta sexta-feira (4) que as normas contra o uso indevido de antibióticos eram conhecidas há muito tempo. Ele declarou que a abordagem do bloco é proporcional e não discriminatória, tendo concedido tempo e informações para que os parceiros se adaptassem.
Um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que as exportações poderão ser retomadas assim que for demonstrado o cumprimento das normas exigidas. O órgão executivo da UE prometeu manter cooperação estreita com as autoridades brasileiras para assegurar o cumprimento dos requisitos.
Em 2025, o Brasil foi o segundo maior exportador de carne bovina para a UE. O volume de embarques superou 92 mil toneladas, o que representou mais de 713 milhões de euros (R$ 4,2 bilhões).


