A Universidade de Oxford concordou em devolver à Índia os restos mortais de 39 pessoas da comunidade Naga, retirados do país durante o domínio colonial britânico. O material integra o acervo do Museu Pitt Rivers, instituição de antropologia, etnologia e arqueologia ligada à universidade, e será repatriado após pedido de organizações locais.
A decisão ocorreu após a aprovação de um pedido de restituição apresentado pelo Fórum para a Reconciliação Naga (FNR) e outras entidades da comunidade, situada principalmente no nordeste da Índia. A universidade autorizou a repatriação em julho e organiza a cerimônia de entrega com representantes locais, embora não haja data definida.
Laura Van Broekhoven, diretora do Pitt Rivers, afirmou que os restos mortais estavam longe de sua terra natal há muito tempo. O pedido original abrangia 40 pessoas, mas Oxford autorizou a devolução de 39. O museu informou que não foi possível determinar se o último conjunto de restos pertence a alguém da comunidade Naga.
Em comunicado, o FNR e outras organizações declararam que a repatriação não trata apenas de ossos ancestrais retornarem à terra, mas de a memória retornar ao lugar a que pertence. O Pitt Rivers possui mais de 6 mil objetos dos Nagas, mas a devolução dessas peças segue um processo separado e não é o foco atual da mobilização.
A medida faz parte de uma revisão do museu sobre a gestão de objetos e restos humanos obtidos no período colonial. Em 2020, a instituição retirou de exposição cerca de 120 restos mortais, incluindo cabeças-troféu Naga e uma múmia egípcia de uma criança, para evitar o reforço de estereótipos racistas.
O movimento de revisão de acervos ocorre em outras instituições. A Universidade de Edimburgo devolveu crânios de seis integrantes da Nação Muscogee aos Estados Unidos este ano. Em 2022, o Museu Horniman, em Londres, restituiu 72 objetos à Nigéria, incluindo 12 Bronzes do Benim.


