A urna eletrônica completa 30 anos em 2026, tendo sido utilizada pela primeira vez em larga escala nas eleições municipais de 1996. O sistema, que substituiu a apuração manual, foi expandido para municípios com mais de 40 mil eleitores em 1998 e adotado em todo o Brasil no ano 2000.
A modernização do sistema eleitoral brasileiro começou décadas antes da implementação da urna. O Código Eleitoral de 1932 já previa a existência de máquinas de votar para garantir o sigilo do voto. Entre as décadas de 1930 e 1950, inventores brasileiros desenvolveram protótipos de automação, enquanto a cidade de Brusque (SC) realizou a votação por computador no segundo turno da eleição presidencial de 1989.
Em 1995, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou uma comissão de especialistas para definir as características do equipamento. O projeto incorporou o voto numérico, a confirmação por fotografia, o boletim de urna e a emissão da zerésima, relatório que comprova que a máquina inicia a votação sem votos registrados.
Durante a estreia em 1996, parlamentares classificaram a tecnologia como um marco para a democracia. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) comparou a mudança à criação do voto secreto. Já o senador Flaviano Melo (PMDB-AC) afirmou que a experiência em Rio Branco (AC) resultou em maior participação dos eleitores e redução de votos brancos e nulos.
A expansão do sistema em 1998 envolveu a contratação do Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento e Segurança das Comunicações (Cepesc) para desenvolver um sistema criptográfico. Na época, o governo solicitou um crédito suplementar de R$ 850 mil para cobrir essas despesas, que não estavam previstas no Orçamento.
Desde a implementação total em 2000, a urna recebeu atualizações em segurança e acessibilidade. Foram incluídos a identificação biométrica, iniciada em 2006, o Registro Digital do Voto (RDV), a abertura dos códigos-fonte e o Teste de Integridade. Versões recentes acrescentaram intérprete de Libras e melhorias no sintetizador de voz.


