O acidente com o voo 254 da Varig, ocorrido em 3 de setembro de 1989, completa 37 anos nesta quinta-feira. O Boeing 737 caiu na Floresta Amazônica, no Norte de Mato Grosso, após a tripulação cometer um erro de navegação no trajeto entre Marabá e Belém, resultando na morte de 12 pessoas.
A aeronave transportava 54 pessoas e deveria cumprir o percurso em menos de uma hora. O comandante César Augusto Padula Garcez e o copiloto Nilson de Souza Zille interpretaram a indicação de rumo “0270” como 270 graus, quando o correto seria 027,0 graus. O erro fez com que o avião seguisse para o Oeste, em vez do Nordeste.
A tripulação dependia de radioajudas terrestres, pois não havia GPS ou sistema de navegação inercial. A ausência de radar em Belém e dificuldades de comunicação impediram a percepção imediata do erro. O copiloto sugeriu retornar a Marabá, mas a proposta foi recusada pelo comandante.
O pouso de emergência ocorreu por volta das 20h50, a cerca de 60 quilômetros de São José do Xingu. O Boeing percorreu 70 metros pela mata, e o impacto arrancou as asas e parte da cauda. Como os tanques de combustível estavam quase vazios, não houve incêndio, fator determinante para a sobrevivência de 42 ocupantes.
Onze vítimas morreram durante a espera por socorro; apenas um passageiro faleceu no momento da aterrissagem. Entre os feridos estavam crianças, como uma menina de três anos que foi carregada pela mãe durante quatro horas até uma base de resgate. Um menino de um ano e oito meses morreu em 10 de setembro, após traumatismo craniano.
A localização dos destroços foi possível graças a um grupo de quatro passageiros, liderados por Afonso Saraiva, de 19 anos, que caminharam pela mata até encontrar uma fazenda com rádio. A Força Aérea Brasileira confirmou o local em 5 de setembro e realizou a evacuação dos sobreviventes via cabos de helicópteros no dia seguinte.
A investigação concluiu que a causa principal foi a falha da tripulação na interpretação da rota. Os dois pilotos foram condenados a quatro anos de prisão, pena posteriormente convertida em prestação de serviços comunitários. O copiloto negou a hipótese de que a distração teria sido causada pela audição de um jogo de futebol via rádio.


