O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que intermediasse um encontro com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. O pedido, feito via mensagem em 16 de novembro de 2025, visava evitar a liquidação extrajudicial da instituição, que ocorreu dois dias depois.
As informações constam em um relatório de 218 páginas da Polícia Federal (PF), elaborado a partir da análise do celular de Vorcaro. O documento foi produzido a pedido do ministro André Mendonça, do STF, para identificar uma possível rede de influência do empresário. O sigilo da ação foi derrubado por Mendonça nesta terça-feira (1º).
Na mensagem, Vorcaro afirmou que pretendia apresentar a Galípolo protocolos para “resolver tudo”, argumentando que a liquidação do banco seria uma “bomba atômica” prejudicial ao governo e à economia do Brasil. No mesmo dia, o banqueiro relatou a Moraes negociações com investidores estrangeiros, citando inclusive uma carta da família real de Abu Dhabi.
A PF prendeu Vorcaro na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. O empresário tentava embarcar em um jato particular com destino aos Emirados Árabes. No dia seguinte, o BC decidiu pela liquidação extrajudicial do Banco Master.
Os dados foram extraídos durante a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes na venda de carteiras de crédito do Master ao Banco de Brasília (BRB). A PF informou que a análise não foi exaustiva, pois ocorreu no prazo de 72 horas determinado pela Justiça, e que parte do conteúdo de WhatsApp foi perdida devido ao recurso de visualização única.
O escritório Barci de Moraes informou que consultou Alexandre de Moraes sobre impedimentos legais para prestar serviços ao banco, na condição de marido da sócia diretora da firma. A nota diz que o contrato foi assinado após a constatação de que o ministro jamais julgou causas envolvendo a instituição. Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Vorcaro não responderam aos questionamentos.


