A Vulcabras planeja utilizar a marca própria Olympikus para sustentar o crescimento de suas receitas em um cenário de incerteza econômica. A estratégia foca no desenvolvimento de calçados multifuncionais, com melhor relação custo-benefício, para atender consumidores com menor poder aquisitivo e maior endividamento.
A decisão baseia-se no feedback de mais de 10 mil varejistas, responsáveis por 80% das vendas da companhia. Segundo o CEO da Vulcabras, Pedro Bartelle, a percepção de que a população está endividada consolidou-se após a Copa do Mundo de 2026, forçando a empresa a adaptar a produção.
A companhia pretende direcionar metade do seu portfólio para produtos que possam ser utilizados em diversas situações, como trabalho, academia e lazer. Bartelle afirmou que a Olympikus, por possuir tênis de menor custo, é a marca que deve ter o maior impacto nos resultados durante o período de dificuldades.
A estrutura verticalizada da empresa permite ajustes rápidos. O CFO da Vulcabras, Wagner Dantas, explicou que a companhia consegue identificar em até 30 dias quais produtos de uma coleção de seis meses não estão vendendo bem, permitindo a reposição imediata de itens com maior demanda.
No segundo trimestre de 2026, a receita líquida da Vulcabras cresceu 11,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior, somando R$ 994,8 milhões. O resultado marca o 24º trimestre consecutivo de alta no indicador.
Para a marca Mizuno, a aposta está na categoria de corrida com adaptações de uso. Já a Under Armour apresenta maior dificuldade na estratégia de multifuncionalidade por vender produtos mais específicos, como itens de basquete, embora tenha o menor impacto nos resultados globais da empresa.
O Relatório Indústria de Calçados 2026, da Albicalçados, projetou para o mercado interno brasileiro um crescimento entre 0,5%, no cenário pessimista, e 3,11%, na estimativa otimista, em relação a 2025.


