O delegado William Marcel Murad assume temporariamente a direção-geral da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira (8). A medida ocorre após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento preventivo do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
Murad exercia a função de diretor-executivo da PF e era considerado o segundo colocado na hierarquia da instituição. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), o delegado atua na corporação há mais de 20 anos, tendo ingressado em 2002.
O currículo do novo interventor inclui a primeira colocação no Curso de Formação Profissional da Academia Nacional de Polícia (ANP). Em 2003, fez especialização em Inteligência Antidrogas em Lima, no Peru, e concluiu formação na FBI National Academy, na Virgínia, Estados Unidos, em 2010.
A decisão de Mendonça foi motivada por pedidos do partido Novo para afastar e prender Andrei Rodrigues. O ministro citou a “superlativa gravidade e ilicitude” na elaboração de relatórios divulgados pelo ministro Alexandre de Moraes, afirmando que ele próprio e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram alvos da Inteligência da PF.
O magistrado determinou que a Polícia Federal investigue os fatos e suspendeu a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência voltados à análise de atos praticados no exercício de funções constitucionais.
A questão do afastamento foi levada ao plenário do STF. O julgamento foi suspenso após o ministro Gilmar Mendes pedir vista para analisar o caso, embora os ministros Luiz Fux e Nunes Marques já tivessem antecipado seus votos.


