O delegado William Marcel Murad assumiu, nesta terça-feira (8), o comando interino da Polícia Federal (PF). A nomeação ocorre após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento preventivo do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
A decisão judicial ordena que a Corregedoria da PF abra procedimentos criminais e administrativo-disciplinares. O objetivo é apurar a produção de relatórios de inteligência sobre autoridades. Segundo o ministro, há suspeitas de monitoramento e de “coleta dirigida” de informações sobre ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Murad, que era diretor-executivo da corporação desde janeiro de 2025, discursou durante cerimônia na Academia Nacional de Polícia (ANP), em Brasília. Na ocasião, afirmou que a instituição não se deixará abalar por ataques e defendeu a serenidade para enfrentar o momento, declarando confiança na direção do órgão.
O novo comandante interino ingressou na PF em 2002, após ocupar a primeira posição no 17º Curso de Formação Profissional para delegado. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), Murad estudou na FBI National Academy, nos Estados Unidos, em 2010, e no Curso Superior de Polícia da ANP, em 2012.
A trajetória do delegado inclui passagens como chefe substituto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes em Pernambuco e funções de comando no combate ao crime organizado no Rio Grande do Norte. Ele também chefiou a Delegacia da PF em São José do Rio Preto (SP) e comandou a Divisão de Repressão a Crimes Fazendários.
Entre novembro de 2021 e dezembro de 2024, Murad atuou como adido policial federal no Reino Unido, em função ligada à cooperação internacional. O delegado é instrutor da Academia Nacional de Polícia, possui formação em inteligência e fala inglês e espanhol.

