O candidato do PSOL ao governo do Rio, William Siri, admitiu dificuldades para atrair o eleitor de esquerda devido ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à candidatura de Eduardo Paes. Em sabatina realizada nesta quarta-feira (9), Siri criticou alianças políticas e propôs a reestatização de serviços de transporte e cortes em renúncias fiscais.
Siri afirmou que a convergência de setores progressistas em torno de Paes gera “confusão”, mas declarou que apoia a reeleição de Lula para evitar que Flávio Bolsonaro chegue à Presidência. O candidato citou contradições de integrantes da esquerda, como o ex-deputado Marcelo Freixo, que hoje apoia a candidatura de Paes.
Sobre a segurança pública, o candidato vinculou Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a políticos investigados por envolvimento com o crime organizado. Siri chamou Ruas de “pupilo” do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, preso e cassado após operação da Polícia Federal indicar ligação com a facção Comando Vermelho.
Questionado sobre o apoio do PSOL à reeleição de Bacellar na presidência da Alerj no início de 2025, Siri disse que o partido “errou”, mas argumentou que a medida garantiu o comando de comissões relevantes. Ele defendeu a unificação das secretarias de Polícia Civil e Militar em uma única pasta de Segurança.
Em relação às operações policiais, Siri propôs a proibição do uso de armas letais disparadas de helicópteros, classificando a prática como aterrorizante para as famílias. No entanto, não descartou a utilização de veículos blindados, os chamados “caveirões”, dependendo da situação.
Para financiar propostas como a tarifa zero nos trens e a reativação de 30 Cieps, o candidato sugeriu a redução de cargos comissionados e um corte de 30% em renúncias fiscais para empresas. Segundo Siri, a medida poderia aumentar a arrecadação em R$ 7 bilhões.
O candidato, que reside em Campo Grande, na Zona Oeste, defendeu a reestatização de trens, barcas e metrô. Ele citou que a manutenção da antiga Supervia custa cerca de R$ 860 milhões por ano e que a gestão pública do serviço seria viável mediante o redesenho do orçamento.


