O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou nesta quarta-feira (2), durante visita ao Egito, que os países do Oriente Médio devem ser donos de seus próprios assuntos e explorar uma nova arquitetura de segurança regional. O líder chinês pediu que as potências externas abandonem a prática de dois pesos e duas medidas e respeitem a soberania local.
Xi Jinping e o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, concordaram em expandir os investimentos na Zona Econômica do Canal de Suez. Os dois países assinaram acordos de cooperação em inteligência artificial, comércio e cadeias de suprimentos. A Presidência egípcia informou que foi lançado o projeto para a terceira fase da zona industrial conjunta, que já conta com 200 empresas e investimentos de US$ 4 bilhões.
A China manifestou disposição para trabalhar com todas as nações na proteção de rotas marítimas internacionais e na eliminação de focos de conflito. A declaração ocorre após interrupções no tráfego dos estreitos de Ormuz e de Bab al-Mandeb devido ao conflito no Irã. Pequim compra mais de 80% do petróleo exportado pelos iranianos, enquanto o governo de Donald Trump prometeu isolar economicamente o país.
O Egito recebe anualmente US$ 1,3 bilhão em ajuda militar de Washington, mas tem ampliado a cooperação com a China. Sisi afirmou em artigo anterior que o país busca uma política de equilíbrio estratégico diante da rivalidade global. A China é atualmente o maior parceiro comercial do Egito, com importações de US$ 10 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano.
Os laços militares foram evidenciados no mês passado pelos exercícios Águias da Civilização, que envolveram jatos chineses J-16 e aeronaves francesas Rafale. A China investe em portos de contêineres, hidrogênio verde e na construção da nova capital administrativa do Cairo. A visita celebra os 70 anos de relações diplomáticas entre as duas nações.


