A XP revisou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2026, reduzindo a estimativa de 2% para 1,7%. O ajuste, divulgado em relatório nesta sexta-feira (4), ocorre após a divulgação dos dados do segundo trimestre, que indicaram um arrefecimento precoce da atividade econômica doméstica.
O economista da XP, Rodolfo Margato, afirmou que os sinais de desaceleração ficaram claros já no final do segundo trimestre, antecipando a chamada “ressaca” da atividade que a instituição previa apenas para o quarto trimestre deste ano. O PIB do segundo trimestre avançou 0,5% em relação ao período anterior, mas o consumo das famílias recuou 0,4%.
A equipe de pesquisa macroeconômica, liderada pelo economista-chefe Caio Megale, informou que o endividamento de empresas e famílias em um cenário de juros altos reduziu a demanda doméstica. O relatório indica que as medidas de estímulo fiscal do governo não foram suficientes para manter a atividade aquecida.
Para o terceiro trimestre, a XP agora projeta estabilidade em relação ao segundo, revertendo a previsão anterior de alta de 0,3%. A instituição aponta que a moderação na criação de vagas e no aumento da renda no mercado de trabalho deve contribuir para um desempenho fraco também no quarto trimestre.
A projeção para a inflação (IPCA) em 2026 foi reduzida de 5,1% para 5,0%, influenciada por surpresas baixistas e mudanças na bandeira tarifária de energia. A estimativa para a taxa Selic em 2026 é de 13,25%, contra os 14% atuais, enquanto a previsão para o dólar ao final do ano é de R$ 5.
Os economistas citam riscos externos, como a política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, e a pressão nos preços do petróleo. Também são mencionados os efeitos do El Niño nos preços dos alimentos e incertezas sobre a política fiscal brasileira nos próximos anos.


