Pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, publicaram um estudo que sugere que o vírus Epstein-Barr (EBV) pode ser um fator crucial no surgimento do lúpus, uma doença autoimune que afeta aproximadamente 300 mil brasileiros. A pesquisa, veiculada na revista Science Translational Medicine, demonstra que a infecção por esse patógeno provoca reações imunológicas que reprogramam as células de defesa do corpo, levando-as a atacar tecidos saudáveis.
O estudo fornece evidências para uma teoria que circula desde a década de 1980, que associa o EBV ao desenvolvimento do lúpus. A reumatologista Luciana Costa Seguro, membro da Sociedade Brasileira de Reumatologia, destaca que a infecção viral ativa o sistema imunológico de forma que perpetua o processo autoimune. Além disso, a pesquisa indica que as células B, que produzem autoanticorpos, são diretamente afetadas pela infecção, tornando-se mais propensas a disparar agressões inflamatórias.
Essas descobertas não apenas elucidem a relação entre o EBV e o lúpus, mas também abrem novas possibilidades de investigação para impedir o surgimento de doenças autoimunes. Entender como o vírus influencia a resposta imunológica pode levar a estratégias de prevenção e tratamento mais eficazes, beneficiando milhões de pessoas que convivem com a doença e outras condições relacionadas.

