Jornalistas no Paquistão recebem penas de prisão perpétua por protestos

Fernanda Scano
Tempo: 2 min.

Na última sexta-feira, um tribunal antiterrorismo do Paquistão proferiu sentenças de prisão perpétua contra oito jornalistas e comentaristas de mídia social, considerados culpados de crimes de terrorismo relacionados a atividades online em apoio ao ex-primeiro-ministro Imran Khan, atualmente preso. As condenações se originaram de protestos violentos ocorridos em 9 de maio de 2023, quando seus apoiadores atacaram instalações militares após a detenção de Khan.

O tribunal argumentou que as ações dos condenados se enquadravam na definição de terrorismo segundo a legislação paquistanesa, alegando que o conteúdo que publicaram fomentou medo e agitação na sociedade. A maioria dos condenados estava fora do país durante o julgamento, incluindo ex-oficiais do Exército que se tornaram influenciadores no YouTube, além de diversos jornalistas conhecidos no país. A sentença inclui também multas, com possibilidade de mais tempo na prisão caso não sejam pagas.

As condenações se inserem em um contexto de crescente repressão contra o partido de Imran Khan e vozes dissidentes no Paquistão, com uso de leis antiterrorismo para silenciar críticas. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas expressou preocupação, afirmando que as investigações são retaliatórias. O caso destaca os desafios enfrentados pela liberdade de imprensa e os direitos civis em um ambiente político cada vez mais hostil no país.

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