O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu um debate sobre a atuação americana na América Latina ao mencionar a Doutrina Monroe, especialmente após a prisão do líder venezuelano, Nicolás Maduro. Durante suas entrevistas, Trump reinterpretou essa doutrina, que em sua essência visava proteger a soberania dos países latino-americanos, transformando-a em um instrumento de imposição e intervenção direta, desconsiderando o direito internacional.
O pesquisador Vitelio Brustolin, da Universidade de Harvard, destaca que, ao referir-se à nova abordagem como Doutrina Donroe, Trump altera o caráter da política americana na região. A estratégia não apenas ignora compromissos internacionais, mas também promove ações que podem ser vistas como violações das normas estabelecidas. Essa nova postura tem como pano de fundo a busca por interesses estratégicos, como o petróleo e o tráfico de drogas, mais do que a defesa da democracia na Venezuela.
A releitura da Doutrina Monroe por Trump estabelece um precedente preocupante, ao justificar intervenções americanas com base em crises internas de outros países. Isso pode reforçar a influência dos Estados Unidos na América Latina, mas também exacerba tensões diplomáticas e fragiliza normas internacionais já desgastadas. O episódio venezuelano ilustra como a região volta a ser um ponto estratégico no xadrez geopolítico, agora sob regras mais rígidas e alinhadas aos interesses de Washington.

