A recente remoção de Nicolás Maduro da presidência da Venezuela gerou especulações sobre o futuro do Irã, especialmente em relação ao líder supremo, Ali Khamenei. Muitos analistas acreditam que, se os Estados Unidos conseguiram expulsar um líder autoritário em Caracas, poderiam fazer o mesmo em Teerã. No entanto, essa suposição ignora as diferenças fundamentais entre os dois regimes e os contextos políticos que os cercam.
Enquanto Maduro foi deposto e seu vice assumiu a presidência, a estrutura de poder na Venezuela permaneceu intacta, demonstrando a resiliência do regime. Essa situação levanta questões sobre o que realmente significa uma mudança de regime e qual seria a verdadeira intenção dos Estados Unidos: transformar ou simplesmente moldar a governança em benefício de seus interesses. Para o Irã, essa distinção é crucial, pois uma abordagem que não busca a libertação, mas sim o controle, pode resultar em um estado autoritário ainda mais resistente e violento.
Os protestos internos no Irã, impulsionados por descontentamento econômico e político, revelam um desejo crescente por mudança. No entanto, a ausência de uma alternativa política clara pode limitar a eficácia desse movimento. Assim, a experiência da Venezuela serve como um alerta: a pressão externa sem um projeto político interno credível pode deixar o regime iraniano ferido, mas de pé, dificultando a luta por um futuro democrático.

