A prisão de Nicolás Maduro não provocou alterações estruturais no poder na Venezuela. Apesar da ausência do líder chavista, o núcleo do regime continua exercendo controle sobre as principais instituições e forças de segurança do país, segundo análise do professor de Políticas Públicas do Ibmec, Eduardo Galvão.
Galvão destaca que a abordagem dos Estados Unidos visa uma gestão de crises, onde a derrubada da liderança é apenas o primeiro passo. A estabilização política, seguida da recuperação econômica e institucional, são etapas necessárias antes de considerar uma real transição de regime. Para ele, essa lógica se assemelha a intervenções históricas em outros países e reflete a complexidade do cenário atual na Venezuela.
O especialista ainda ressalta que a pressão americana sobre a Venezuela não se dá apenas por questões internas, mas também pela rivalidade com a China. A prisão de Maduro é vista como um movimento inicial em uma estratégia mais ampla, cuja definição e consequências permanecem incertas, em um contexto de crescente disputa hegemônica na América Latina.

