O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia apresenta benefícios limitados para o agronegócio brasileiro, conforme análise de especialistas. As cotas estabelecidas e as novas barreiras não tarifárias, especialmente as ambientais, favorecem apenas grandes empresas exportadoras, marginalizando pequenos produtores. Essa situação pode aprofundar a divisão produtiva no campo, restringindo os ganhos a uma minoria privilegiada.
Analistas destacam que as cotas de exportação, como as de 99 mil toneladas para carne bovina, representam uma fração muito pequena do mercado europeu, o que limita qualquer impacto positivo do acordo. Além disso, a exigência de conformidade com regulamentações complexas pode ser inibidora para frigoríficos de médio porte. Os pequenos proprietários, com dificuldades de investimento e certificação, podem ser excluídos do mercado internacional, criando um cenário de um agronegócio de duas velocidades.
Os desafios vão além das cotas, englobando questões operacionais com as novas normas da UE, como rastreabilidade e regulamentação de produtos livres de desmatamento. Embora a situação possa criar oportunidades para o setor do café, com a eliminação de tarifas em certos produtos, as especialistas alertam que não haverá uma migração significativa de indústrias para o Brasil. O futuro do agronegócio brasileiro dependerá da capacidade de adaptação às exigências do mercado europeu e da reforma das estruturas de produção.

