A justiça chilena absolveu, nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, o policial Claudio Crespo, acusado de deixar o jovem Gustavo Gatica cego durante os protestos de 2019 em Santiago. O incidente ocorreu em 8 de novembro daquele ano, quando Gatica, então com 21 anos, foi atingido nos olhos por balas de borracha durante uma manifestação em busca de justiça social. O veredicto foi proferido pelo Quarto Tribunal Oral Penal de Santiago após uma longa leitura da sentença.
Na sua decisão, a juíza Cristina Cabello reconheceu que Crespo foi o autor dos disparos, mas considerou sua conduta como legítima defesa frente a uma suposta agressão. O caso gerou ampla repercussão e críticas de organizações de direitos humanos, que questionaram a conduta da polícia durante os protestos, que resultaram em 30 mortes e milhares de feridos. Gatica lamentou a absolvição e anunciou que pretende recorrer da sentença, ressaltando a importância de saber quem foi o responsável pelo ataque.
A absolvição de Crespo pode ter implicações significativas para a forma como a justiça chilena atua em casos envolvendo forças de segurança e direitos humanos. O ex-policial comemorou a decisão, afirmando que sua atuação foi para proteger a população. Entretanto, a indignação de Gatica e de outros manifestantes reforça a necessidade de uma discussão mais ampla sobre a resposta das autoridades em situações de protesto.

