O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, previsto para ser assinado no dia 17, trouxe à tona a controvérsia sobre os pesticidas que são proibidos para agricultores europeus, mas que continuam a ser exportados para a América Latina. Com mais de 15 bilhões de euros em produtos agrícolas comercializados entre os blocos, as disparidades nas regulamentações levantam sérias questões sobre segurança alimentar e saúde pública.
Em 2024, o Brasil autorizou o uso de 330 substâncias ativas, das quais 60% não são aceitas pela UE. A situação é ainda mais complexa, pois países da Europa podem permitir temporariamente o uso de químicos não aprovados, enquanto resíduos de pesticidas proibidos ainda podem ser encontrados em produtos importados do Mercosul. Críticos do acordo alertam para a falta de controles adequados, o que resulta em concorrência desleal e riscos à saúde dos consumidores.
As empresas europeias continuam a exportar substâncias vetadas na UE, com um comércio que foi descrito como “cínico e amoral” por organizações de defesa do consumidor. Em resposta a essas preocupações, a Comissão Europeia anunciou a proibição de importações com vestígios de certos fungicidas, destacando a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa. Este debate em torno do acordo UE-Mercosul poderá influenciar futuras negociações e políticas agrícolas em ambos os blocos.

