Uma recente avaliação revelou que 38,8% dos formandos em Medicina de instituições privadas no Brasil não atingiram a nota mínima de 60% no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enamed). O Conselho Federal de Medicina (CFM) considera a possibilidade de barrar o registro profissional desses estudantes, o que indicaria uma tentativa de elevar os padrões de qualificação no setor médico. A medida, proposta pelo presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, visa proteger a saúde da população brasileira diante de resultados alarmantes na formação médica.
Os dados, divulgados pelo Ministério da Educação, mostram que dos 351 cursos avaliados, 107 apresentaram desempenho insatisfatório, com muitos alunos nas faixas de avaliação mais baixas. A proposta de exigir a aprovação no Enamed para registro no conselho regional ainda precisa passar por revisão jurídica, para garantir sua viabilidade legal e evitar possíveis contestações judiciais. O CFM argumenta que a baixa proficiência expõe riscos à saúde pública e que é necessário um novo exame para avaliar a capacitação dos recém-formados.
No entanto, a implementação dessa proposta enfrenta resistência, especialmente do governo, que teme a concentração de poder no CFM. Além disso, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) contestou a validade dos resultados do Enamed, alegando que o exame não deve ser o único critério para avaliar a aptidão profissional. A discussão sobre a qualidade da formação médica no Brasil continua em evidência, refletindo preocupações sobre os mecanismos de avaliação e o futuro da educação médica no país.

