Governo francês supera moções de censura e avança com orçamento controverso

Carlos Eduardo Silva
Tempo: 2 min.

Em 23 de janeiro de 2026, o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, conseguiu sobreviver a duas moções de censura apresentadas no Parlamento. As moções surgiram após a aprovação de parte do orçamento de 2026 sem voto na Assembleia Nacional, em um cenário de crise política acentuada. Lecornu já havia enfrentado outras votações na semana anterior, impulsionadas por partidos de extrema direita e esquerda em retaliação ao acordo UE-Mercosul.

O uso do procedimento conhecido como artigo 49.3 permitiu ao governo francês aprovar o orçamento contornando o Parlamento, uma prática que tem sido comum desde 2022. A proposta de censura, que poderia derrubar o premiê, não obteve o apoio necessário, mas a situação política permanece tensa, com a Assembleia Nacional dividida em três blocos sem maioria. A estratégia de Lecornu é vista como uma tentativa de evitar a inoperância do governo, mas pode gerar novas moções de censura no futuro.

Com as eleições presidenciais de 2027 se aproximando, o presidente Emmanuel Macron enfrenta um cenário complicado, onde sua influência e a do governo centrista estão em declínio. A liderança da extrema direita, representada por candidatos como Marine Le Pen e Jordan Bardella, mostra-se forte, colocando em risco a estabilidade política da França. Lecornu deverá continuar a navegar por essa maré turbulenta enquanto busca a aprovação das despesas do orçamento em um clima político hostil.

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