A recente trégua nas tensões entre Estados Unidos e Irã provocou uma queda notável nos preços do petróleo, que despencaram quase 5% em um único dia, a maior redução em seis meses. O economista Ricardo Balistiero, do Instituto Mauá de Tecnologia, apontou que essas oscilações são impulsionadas por fatores políticos, especialmente a situação no Oriente Médio e na Venezuela.
Balistiero destacou que, apesar do aumento potencial na oferta de petróleo, as capacidades de refino de países como Brasil e Venezuela limitam a transformação de reservas em poder econômico. A situação da Venezuela, em particular, é crítica, com sua capacidade produtiva comprometida por anos de dificuldades internas. O especialista observou que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decidiu manter a produção inalterada, reconhecendo o excesso de oferta no mercado global.
O economista também analisou as consequências de longo prazo, afirmando que a transição energética e a busca por fontes alternativas de energia estão contribuindo para a estabilidade dos preços. Ele não prevê uma crise estrutural no mercado até 2026, indicando que a volatilidade futura dependerá mais de questões políticas do que de fundamentos de oferta e demanda. Conflitos externos podem gerar impactos temporários, mas não devem alterar o equilíbrio do mercado global.

