Uma em cada cinco crianças e adolescentes no mundo vive com sobrepeso ou obesidade

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Um em cada cinco crianças e adolescentes no mundo vive com sobrepeso ou obesidade, de acordo com dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026, divulgados no Dia Mundial da Obesidade. A pesquisa revela que 20,7% das crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos em todo o planeta, totalizando 419 milhões, apresentam essa condição.

A Federação Mundial de Obesidade prevê que, até 2040, o número aumente para 507 milhões de crianças e adolescentes no mundo. A obesidade e o sobrepeso na infância podem levar a problemas de saúde semelhantes aos observados em adultos, como hipertensão e doença cardiovascular. A previsão é que, até 2040, 57,6 milhões de crianças apresentem sinais precoces de doença cardiovascular e 43,2 milhões, sinais de hipertensão.

A entidade alerta que as ações para combater a obesidade infantil continuam inadequadas em muitos países, solicitando a implementação de medidas como impostos sobre bebidas adoçadas, restrições ao marketing direcionado a crianças e adoção de padrões mais saudáveis na alimentação escolar.

No Brasil, 6,6 milhões de crianças com idade entre 5 e 9 anos estão com sobrepeso ou obesidade. Esse número sobe para 9,9 milhões quando considerados adolescentes entre 10 e 19 anos, totalizando 16,5 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos vivendo com sobrepeso ou obesidade no país.

Em 2025, quase 1,4 milhão de crianças foram diagnosticadas com hipertensão atribuída ao Índice de Massa Corporal (IMC), enquanto 572 mil foram diagnosticados com hiperglicemia atribuída ao IMC; 1,8 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC; e 4 milhões com doença hepática esteatótica metabólica.

A previsão é que, até 2040, os números no Brasil alcancem 1,6 milhão de crianças e adolescentes com hipertensão atribuída ao IMC; 635 mil com hiperglicemia atribuída ao IMC; 2,1 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC; e 4,6 milhões com doença hepática esteatótica metabólica.

Segundo Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), os índices de obesidade e sobrepeso infantil em todo o mundo, principalmente em países de média e baixa renda, apresentam um “crescimento assustador” devido ao consumo crescente de alimentos ultraprocessados e pouco nutritivos.

Halpern, que também é membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e presidente eleito da Federação Mundial de Obesidade para o biênio 2027-2028, destaca a necessidade de estratégias de taxação de ultraprocessados e refrigerantes, além do combate à propaganda infantil, e da atenção à obesidade materna para prevenção da obesidade infantil.

““Se não for o seu filho, vai ser o filho da sua irmã ou alguém muito próximo vivendo com isso”, completou Halpern.”

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