Minas Gerais Tem Maior Área Urbana em Encostas Íngremes do País, Aponta MapBiomas

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Minas Gerais é o estado brasileiro com a maior área urbanizada em alta declividade, construída em encostas íngremes que oferecem risco aos moradores. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (4) pelo MapBiomas, no Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil. No estado, onde fortes chuvas deixaram 72 pessoas mortas e um desaparecido na semana passada, há quase 14,5 mil hectares de área com pessoas vivendo em locais de risco.

Cada hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, área maior que um campo de futebol profissional, que tem pouco mais de 7 mil metros quadrados. Os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina também apresentam grandes áreas urbanizadas em terrenos inclinados, com mais de 8,5 mil hectares, 8,1 mil hectares e 3,7 mil hectares, respectivamente.

Juiz de Fora, município mais atingido pelas chuvas na Zona da Mata de Minas Gerais, com 65 mortos, é a terceira cidade brasileira com maior área urbanizada em declive. Em 2024, a cidade possuía 1.256 hectares construídos em áreas onde a inclinação representa risco maior de deslizamento. As capitais Rio de Janeiro, com 1,7 mil hectares, e São Paulo, com 1,5 mil hectares, lideram a lista.

Um estudo do MapBiomas revelou que a ocupação de áreas de risco cresceu em ritmo mais acelerado do que a urbanização em geral. Entre os anos de 1985 e 2024, a área urbanizada no Brasil cresceu de 1,8 milhão de hectares (ha) para 4,5 milhões de hectares, um crescimento anual equivalente a 70 mil hectares. As áreas construídas em regiões com declividade acentuada aumentaram de 14 mil hectares, em 1985, para 43,4 mil ha, em 2024.

Segundo a coordenadora do estudo, Mayumi Hirye, o contexto das mudanças climáticas e os riscos causados pelos episódios extremos são fatores a serem considerados na expansão das cidades. “Afetam a todos, mas, em especial, incidem de forma mais dramática em áreas mais sensíveis e vulneráveis, cuja ocupação tem acontecido de forma mais acelerada do que o ritmo da urbanização total”, reforçou.

Em 2024, pesquisadores identificaram que 1,2 milhão de hectares de áreas urbanas no Brasil apresentam risco maior de inundação por proximidade de áreas de drenagem natural. O Rio de Janeiro liderava em 2024, com 108,2 mil hectares nessa situação, com a ocupação dessas áreas quase dobrando ao longo de 40 anos. Já em Rondônia, a construção em áreas próximas à drenagem natural mais que duplicou de 7,3 mil hectares em 1985 para 18,8 mil hectares em 2024.

O engenheiro ambiental do Mapbiomas, Edmilson Rodrigues, destacou que, historicamente, as cidades se estabeleceram junto a corpos d’água, mas as mudanças climáticas aumentam o risco desse tipo de proximidade. “Diante do aumento do número de eventos extremos e do conjunto de funções cumpridas por áreas de várzea e planícies alagáveis, é importante monitorar a expansão de áreas urbanizadas em margens fluviais, buscando conservar o ambiente e a qualidade de vida da população”, concluiu.

“summary”: [“Minas Gerais: estado com maior área urbana em encostas íngremes do país.

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