A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã gera preocupação em diversos setores da economia brasileira. Apesar de o Brasil não ser um dos países mais afetados diretamente, determinados segmentos da economia nacional apresentam particular vulnerabilidade aos efeitos do conflito, que vai além da alta do petróleo.
O setor de logística observa atentamente a escalada do conflito, que elevou o preço do petróleo do tipo Brent de 72 dólares por barril para mais de 80 dólares por barril em menos de três dias. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) já solicitava o reajuste do preço do diesel, utilizado no transporte rodoviário de cargas, devido a uma defasagem de preço praticada pela Petrobras.
A alta expressiva do petróleo cria pressão para que a Petrobras reajuste o diesel nos próximos 30 dias, embora a volatilidade do mercado possa levar a empresa a ser cautelosa. Caso o preço do diesel aumente, o impacto na logística nacional será direto, com aumento das cobranças de frete.
O Estreito de Ormuz também é foco de atenção, com o Irã ameaçando atacar embarcações que tentem atravessá-lo. Isso aumenta o risco e os custos de frete das cargas. Um relatório do Bradesco indica que o tráfego pelo Estreito de Ormuz diminuiu, e algumas seguradoras estão considerando suspender a cobertura de risco de guerra para embarcações na região.
O agronegócio exportador é um dos setores mais pressionados, uma vez que o Oriente Médio é um mercado relevante para produtos como carne bovina, frango, açúcar, soja e milho. Quase 35% de toda a carne de frango exportada pelo Brasil tem o Oriente Médio como destino, totalizando 3 bilhões de dólares anuais, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A situação é semelhante no caso do milho, com 2,7 bilhões de dólares em vendas brasileiras para a região, equivalentes a 32% do total de exportações do grão. O Irã é o principal comprador de milho brasileiro, concentrando 23% das vendas e quase 68% de tudo que o Brasil vende ao país.
Embora o redirecionamento das entregas de milho seja possível, analistas apontam que a duração do conflito será determinante para avaliar os impactos. Outro impacto relevante ocorre na cadeia de fertilizantes e insumos agrícolas, dos quais o Brasil é forte importador. Países do Oriente Médio são importantes fornecedores de fertilizantes nitrogenados, cuja produção depende do gás natural, podendo encarecer esses insumos dependendo da duração do conflito.
Dos 7,1 bilhões de dólares em produtos que o Brasil importou do Oriente Médio em 2025, 2,2 bilhões de dólares foram de fertilizantes, representando mais de 14% das importações brasileiras dessa classe de produtos.
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