Tensão no Oriente Médio leva importadores a rever rotas da carne brasileira

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Importadores do Oriente Médio avaliam rotas alternativas para garantir o recebimento de carnes brasileiras diante da escalada das tensões no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz. O frete marítimo encareceu, e há relatos de atrasos nas entregas.

Segundo a Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), cargas em trânsito podem sofrer redirecionamentos ou adiamentos, dependendo da evolução do cenário geopolítico. O setor planeja redirecionar mercadorias para portos fora da área crítica do Golfo, incluindo terminais no Golfo de Omã, ou utilizar o Canal de Suez. Em alguns casos, a alternativa é desembarcar a carga em países vizinhos e completar o trajeto por via terrestre.

Em entrevista à CNN Agro News, a CEO da Agrifatto, Lygia Pimentel, destacou que o aumento dos custos logísticos é um dos principais entraves para o setor de carnes. Os fretes marítimos ficaram mais caros devido à elevação dos seguros das embarcações, impactando as margens das exportadoras brasileiras.

O secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Mohamad Orra Mourad, afirma que a demanda por proteínas deve permanecer firme e que os países continuarão a importar carne do Brasil. O setor registrava intensificação de embarques no fim de 2025 em esforço de formação de estoques para o Ramadã, refletindo também a normalização do comércio. “As proteínas são consideradas itens essenciais e, neste período do ano, os países islâmicos ampliam as compras em função do Ramadã, quando há maior consumo de alimentos após o pôr do sol”, informou.

Segundo o especialista em agronegócio e professor do Insper Agro Marcos Jank, os efeitos da escalada dos conflitos não se restringem ao Irã, mas atingem países que mantêm forte relação comercial com o Brasil, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. A instabilidade prolongada pode gerar impactos mais relevantes para o setor de carnes.

Os países árabes vêm ampliando os investimentos na produção própria de proteína animal, impulsionando as exportações brasileiras de insumos estratégicos. O secretário ainda destaca que muitos países do Golfo operam com estoques reguladores para garantir o abastecimento interno e manter sua atividade de reexportação, evitando interrupções no comércio.

Dados do MIDC indicam que o Oriente Médio importou cerca de US$ 3 bilhões em carne de frango brasileira no ano passado, representando 34,8% de todas as exportações nacionais do produto. Ricardo Santin, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), reporta que o Brasil embarca mensalmente entre 80 mil e 100 mil toneladas de frango halal ao Oriente Médio para os Emirados Árabes Unidos, Omã e Iêmen.

A ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina) avalia que as exportações de carne bovina podem registrar queda entre 30% e 40% caso os gargalos logísticos se prolonguem. Roberto Perosa, presidente da ABIEC, afirmou que o impacto financeiro pode chegar a US$ 6 bilhões e que o volume de negócios que depende das rotas afetadas é considerável. O Egito e a Arábia Saudita concentraram as maiores compras de carne bovina brasileira. A Argélia também intensificou em 40,56% as compras no último ano, movimentando US$ 286,58 milhões.

“summary”: [“Tensão no Oriente Médio afeta rotas de exportação de carne brasileira.

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