A Agência Nacional do Petróleo (ANP) notificou, na última terça-feira, 3 de março de 2026, a família do agricultor Sidrônio Moreira, em Tabuleiro do Norte (CE), após suspeita de que dois poços em sua propriedade contenham hidrocarbonetos semelhantes ao petróleo. O órgão informou que recebeu a notificação do caso, feita em 24 de julho de 2025, e que enviará uma equipe técnica ao local.
Os poços foram perfurados com recursos de um empréstimo de R$ 15 mil, destinado a garantir água na zona rural. A propriedade, chamada Sítio Santo Estevão, está localizada no Baixo Vale do Jaguaribe, no topo da Chapada do Apodi, no Sertão do Ceará.
Segundo a família, a região está no fim de uma adutora que abastece a comunidade, onde a água chega com baixa vazão e pressão, prejudicando o fornecimento. De acordo com o filho do agricultor, Saullo Santiago, o crescimento da comunidade reduziu a capacidade de atendimento do sistema. Existe a promessa de construção de uma nova adutora, atualmente em obras, porém sem previsão de conclusão.
A água distribuída é destinada ao consumo humano, o que motivou o agricultor a buscar uma fonte própria para os animais. A primeira perfuração, iniciada em novembro de 2024, ultrapassou 40 metros de profundidade sem atingir o lençol freático. Em vez de água, surgiu um material escuro, viscoso e com odor característico, interrompendo o trabalho.
Em uma segunda tentativa, a cerca de 50 metros do primeiro ponto, a escavação alcançou aproximadamente 23 metros e apresentou sinais semelhantes, levando à suspensão definitiva das atividades.
Meses depois, uma amostra do material foi recolhida e encaminhada ao campus de Tabuleiro do Norte do Instituto Federal do Ceará (IFCE). O engenheiro químico Adriano Lima afirmou que a instituição recebeu o relato com cautela, considerando a profundidade rasa para ocorrências típicas de petróleo.
O IFCE buscou apoio externo para análises físico-químicas complementares, enviando o material ao Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Segundo Adriano Lima, os testes preliminares indicaram que a substância é composta por uma mistura de hidrocarbonetos com características semelhantes ao petróleo extraído em terra na Bacia Potiguar. Ele ressalta que o resultado é inicial e não confirma a existência de jazida nem viabilidade econômica de exploração.
O IFCE orientou a família sobre os procedimentos legais e informou que os recursos minerais pertencem à União, mesmo quando encontrados em propriedade privada. O caso foi comunicado à ANP, responsável por avaliar a situação.
No ofício enviado à família, a ANP orienta a suspensão de qualquer atividade na área, reforça que a exploração só pode ocorrer mediante autorização e informa que comunicou o caso à Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Ceará. A agência afirma que realizará vistoria técnica para avaliar as condições do poço e confirmar as características do fluido, mas ainda não definiu um prazo para a inspeção.
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