Petróleo a US$ 80 pode reduzir déficit primário brasileiro pela metade em 2026, aponta BTG

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

Uma alta do petróleo para US$ 80 por barril, com a manutenção desse valor ao longo do ano, pode reduzir significativamente o déficit primário em 2026, conforme projeções do BTG Pactual divulgadas nesta quarta-feira (4). O relatório destaca que o impacto favoreceria o caixa do governo, impulsionado por maiores arrecadações e dividendos da Petrobras.

Inicialmente, o BTG Pactual projetava o barril do petróleo a US$ 65 e o dólar a R$ 5,20, resultando em um déficit primário de R$ 50 bilhões (0,4% do PIB), sem considerar exceções ao arcabouço fiscal, como descontos por precatórios e investimentos nas Forças Armadas.

As novas simulações do BTG Pactual consideram os impactos dos ataques recentes ao Irã e as crescentes tensões no Oriente Médio, incluindo a possível interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Segundo o relatório, a manutenção de uma taxa de câmbio estável e um preço do barril em US$ 80 ao longo do ano geraria uma arrecadação adicional de R$ 18,9 bilhões (em impostos federais, royalties e participações especiais da União) e R$ 4,1 bilhões em dividendos da Petrobras para o Tesouro, totalizando R$ 23 bilhões. Esses valores já descontam repasses a estados e municípios e dividendos para os acionistas minoritários da Petrobras.

Com essa receita adicional, o déficit primário seria reduzido para R$ 27 bilhões (-0,2% do PIB), conforme estimativas do BTG Pactual.

“É importante considerar que qualquer impacto inflacionário decorrente do conflito poderia gerar pressão política por medidas de alívio tributário e/ou maior gasto público, com o objetivo de mitigar esses efeitos”, pondera o relatório. “Se implementadas, essas medidas poderiam compensar parcial ou integralmente os ganhos [fiscais] estimados neste exercício.”

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“BTG Pactual projeta que o petróleo a US$ 80 pode reduzir o déficit primário brasileiro em 2026.

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