Um apagão de grande escala atingiu a maior parte de Cuba, incluindo a capital Havana, nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, deixando cerca de dois terços do país sem energia. A informação foi divulgada pela estatal Unión Eléctrica (UNE), responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia no país.
A interrupção ocorre em meio a uma crise energética que se agrava desde meados de 2024, marcada por infraestrutura obsoleta e escassez de combustível. Segundo a UNE, o apagão afetou o Sistema Elétrico Nacional (SEN) desde a província de Camagüey, no centro, até Pinar del Río, no extremo oeste.
“Todos os protocolos para o restabelecimento do SEN já foram ativados”, publicou a estatal nas redes sociais.
A causa do incidente foi o desligamento inesperado da usina termelétrica Antonio Guiteras, a maior do país, localizada em Matanzas, devido a um vazamento na caldeira registrado às 12h41, horário local. A usina já enfrenta problemas técnicos recorrentes. Outra das maiores usinas do país, a termoelétrica Felton, em Holguín, permanece em operação, com protocolos de recuperação ativados.
O diretor-geral de Eletricidade do Ministério de Energia e Minas (Minem), Lázaro Guerra Hernández, acrescentou que o incidente provocou interrupções temporárias nos sinais de rádio e televisão em diversas áreas.
O Sistema Elétrico Nacional tem enfrentado forte pressão, sofrendo avarias em centrais termoelétricas, escassez de combustível e períodos prolongados de manutenção, o que leva a apagões diários em grande parte da ilha.
A situação é agravada pela pressão internacional, com a ilha historicamente dependente do petróleo venezuelano sofrendo reduções nas remessas após pressão do governo dos Estados Unidos sobre Caracas.
O governo norte-americano também ameaçou aplicar tarifas a países que forneçam petróleo a Cuba, o que levou o México a suspender remessas. Havana tem implementado medidas de austeridade, com cortes diários de energia que chegam a mais de 20 horas em grandes regiões e cerca de 15 horas em partes de Havana.
Na terça-feira, o fornecimento em Havana foi interrompido por 19 horas e 20 minutos, com circuitos de emergência ainda desconectados na capital. Equipes técnicas trabalham para restabelecer o serviço, mas não há previsão de normalização completa.
Empresas do setor privado de Cuba realizaram, nas últimas semanas, as primeiras importações de combustível ao país. O governo dos Estados Unidos, que aplica um bloqueio energético a Havana, flexibilizou a política de restrições e autorizou a venda de petróleo e derivados ao setor privado cubano, desde que esses produtos não sejam destinados a empresas estatais ou controladas pelos militares, justificada como uma medida de “razões humanitárias”.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, alertou para o risco de “colapso humanitário” caso Cuba não consiga importar combustível suficiente para atender às necessidades básicas da população.
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“Apagão atinge dois terços de Cuba.

