A produtora brasileira de açúcar e etanol Raízen poderá ficar sob o controle da Shell, após o colapso das negociações de resgate que envolviam parceiros da joint venture e credores. As informações foram confirmadas por fontes familiarizadas com o assunto.
Meses de negociações entre a Shell, coproprietária da Raízen, e a Cosan, para injetar capital na empresa endividada, foram interrompidos nesta semana. A Raízen, uma das maiores produtoras de etanol do mundo, registrou uma série de prejuízos e sua dívida aumentou consideravelmente nos últimos trimestres.
Em fevereiro, a Raízen alertou para uma “incerteza significativa” quanto à sua capacidade de continuar operando, levando acionistas e credores a se mobilizarem para salvar a companhia. Uma das fontes, que pediu para não ser identificada, informou que a Shell está em contato com bancos e credores sobre o resgate da Raízen, e que essas negociações serão lideradas pela fabricante de açúcar.
A Shell e a Cosan detêm, cada uma, 44% da Raízen, empresa criada como uma joint venture em 2011. A Shell estava disposta a investir R$ 3,5 bilhões na empresa de açúcar, esperando que a Cosan igualasse esse valor. No entanto, a Cosan afirmou que não tinha condições de igualar o investimento proposto pela Shell, embora estivesse preparada para contribuir com R$ 1,5 bilhão.
A Cosan também propôs levantar R$ 6,3 bilhões de fundos de private equity ligados ao banco de investimentos BTG Pactual, mas a Shell não concordou com essa estrutura. A dívida líquida da Raízen subiu para R$ 55,3 bilhões no final de dezembro, devido a gastos elevados, condições climáticas instáveis e incêndios florestais que prejudicaram as colheitas.
A empresa produziu cerca de 3,16 bilhões de litros de etanol em 2024. Não há novas conversas agendadas no momento, embora as discussões possam ser retomadas caso todas as partes concordem.

