O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, criticou em entrevista nesta quarta-feira (4) o papel do STF (Supremo Tribunal Federal) nas investigações do caso do Banco Master.
Vieira apontou pressões políticas e decisões atípicas de ministros da Corte, que, segundo ele, dificultam o avanço das apurações. Ele afirmou:
““Temos uma relação não republicana entre o grupo comandado por Daniel Vorcaro e grandes autoridades, incluindo ministros da Suprema Corte. Vamos ter que avançar nessas apurações para que, de fato, os brasileiros possam ter acesso à verdade.””
O senador também criticou a postura da PGR (Procuradoria-Geral da República), que, na visão dele, agiu com lentidão ao questionar a urgência da decisão que levou à prisão de Vorcaro nesta terça.
““A PGR alegou que 72 horas seria pouco para avaliar pedidos de prisão, mas isso é atípico. Esses pedidos precisam ser avaliados com rapidez,””
destacou.
Vieira mencionou as atitudes de ministros como Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que, segundo ele, têm prejudicado o andamento das investigações.
““Essas decisões são absolutamente descabidas,””
afirmou, referindo-se à devolução da relatoria do caso por Toffoli e ao mandado de segurança reativado por Gilmar, que suspendeu a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da Maridt, empresa que tem entre os sócios o ministro Toffoli.
O senador afirmou:
““A decisão do ministro Gilmar ultrapassa o limite da definição de atípica, ela é absurdamente descabida. Ele ressuscita um mandado de segurança arquivado há três anos e, nesse mandado, concede habeas corpus para uma pessoa jurídica. Isso é ilegal de cabo a rabo. Já estamos apresentando os recursos necessários para que a Suprema Corte possa retificar esse absurdo.””
Para Vieira, o maior obstáculo para o avanço das investigações é o poder e a influência que integrantes do STF ainda exercem no processo.
““O medo está levando à tomada de decisões equivocadas, que expõem ainda mais a justiça do Brasil,””
concluiu.

