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Saúde

Estudo aponta necessidade de políticas públicas para menopausa, afetando mulheres negras

Amanda Rocha
Última atualização: 5 de março de 2026 08:12
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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Um estudo divulgado na terça-feira (3) pelo Instituto Esfera, em Brasília, alerta para a necessidade de políticas públicas específicas para reduzir os impactos da menopausa nas mulheres. A pesquisa destaca a atenção necessária para mulheres negras e em situação de vulnerabilidade.

A pesquisadora Clarita Costa Maia, uma das responsáveis pelo estudo, explicou que as mulheres mais vulnerabilizadas no Brasil, especialmente as negras e aquelas que residem em comunidades desassistidas, enfrentam impactos mais severos durante a menopausa, tanto na saúde quanto no trabalho.

““O que constatamos é que a menopausa tem um componente biológico que atinge mais as mulheres negras e há o cruzamento de vulnerabilidades. São mulheres que sentem a menopausa com mais peso, biologicamente e socialmente falando”,”

afirmou.

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A pesquisa também aponta que essa vulnerabilidade coloca as mulheres em uma posição desfavorável em relação a outros estratos sociais.

““Ela é, em regra, o arrimo de família e líder familiar. São mulheres que ficam numa posição muito frágil no mercado de trabalho”,”

ressaltou Maia.

Os sintomas da menopausa, tanto físicos quanto psicológicos, quando não tratados, podem levar a uma insustentabilidade nas relações profissionais, impactando todo o núcleo familiar. O estudo enfatiza que no Brasil é essencial que as políticas públicas considerem que cuidar da mulher na menopausa é cuidar de toda a família.

A pesquisadora, que atua na área do direito e trabalhou no estudo com a médica Fabiane Berta de Sousa, acrescentou que os sintomas não tratados podem resultar em sérias consequências para a saúde mental.

““Aumentam significativamente as chances de desenvolvimento de Alzheimer, de depressão e diversas outras consequências relacionais advindas disso”,”

explicou.

O documento também aborda a questão da menopausa precoce, associada ao modo de vida atual. Com o envelhecimento populacional, é necessário que as redes públicas ofereçam mais atenção a essas fases complicadas da vida.

““São fases complicadas, de altos e baixos emocionais. Pode haver rupturas em nível pessoal das quais a pessoa precisa se recuperar com o tempo e não está entendendo o que ocorre consigo mesma”,”

disse Maia.

O estudo sugere a realização de um mapeamento sobre a menopausa no Brasil para melhor compreensão da realidade nacional.

““A ausência de política pública nacional estruturada para a menopausa não é neutra. Produz efeitos concretos sobre a saúde, a economia e a cidadania de milhões de mulheres”,”

afirma o documento.

Os dados internacionais indicam que os custos relacionados à menopausa são significativos, totalizando US$ 26,6 bilhões por ano nos Estados Unidos e US$ 150 bilhões globalmente, além de uma queda de 10% nos rendimentos das mulheres afetadas. No Brasil, estima-se que 29 milhões de mulheres estejam nessa fase, com 87,9% apresentando sintomas, mas apenas 22,4% buscam tratamento.

Por fim, a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, mencionou durante o evento de lançamento do estudo que atualmente há maior atenção na prevenção da saúde da mulher com o envelhecimento populacional.

““Essas questões das fases do ciclo de vida feminino também se colocam em outra direção. Recentemente, tivemos um fórum de mulheres criado pelo Ministério da Saúde e é interessante que o grupo que representava as mulheres na menopausa foi um dos mais ativos”,”

lembrou.

TAGGED:Ana Estela HaddadBrasíliaClarita Costa MaiaFabiane Berta de SousaInstituto EsferaMenopausaMinistério da SaúdeSaúde da mulher
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