China estabelece menor meta de crescimento do PIB em décadas

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A China anunciou nesta quinta-feira, 5, sua menor meta de crescimento econômico em décadas, estabelecendo uma projeção entre 4,5% e 5% para 2026. A decisão foi comunicada durante a abertura da assembleia anual do Congresso Nacional do Povo, onde o governo destacou um ‘cenário grave e complexo’ como justificativa para a medida.

O primeiro-ministro Li Qiang afirmou: ‘Em muitos anos, raras vezes encontramos um cenário tão grave e complexo, onde choques e desafios externos estivessem entrelaçados com dificuldades internas e escolhas políticas difíceis’. A nova meta é a menor desde 1991 e reflete um tom moderado após três anos consecutivos de metas em torno de 5%.

Apesar de ter alcançado seus objetivos nos últimos anos, a China enfrentou dificuldades com a lenta recuperação após os rígidos lockdowns da pandemia de covid-19 e com a ofensiva tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2025. ‘No último ano, a economia chinesa se mostrou notavelmente resiliente, avançando contra ventos contrários’, disse Qiang, referindo-se ao ano anterior, marcado por pressões comerciais e desequilíbrios estruturais internos.

A China, que representa um terço do crescimento mundial, é a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. O país experimentou um crescimento econômico impressionante desde as reformas da década de 1970, superando o Japão em 2010. Contudo, enfrenta um desaceleramento na última década, com a Índia se destacando como a nação que mais cresce no mundo.

Durante a assembleia, também foi anunciado um aumento nos gastos com defesa, com a China destinando 7% de suas verbas ao setor, totalizando 1,9 trilhão de yuans (cerca de R$ 1,4 trilhão). O objetivo é contrabalançar os Estados Unidos e fortalecer sua posição em relação a Taiwan. Apesar de ser o segundo maior orçamento de defesa do mundo, os gastos chineses são três vezes menores que os dos Estados Unidos.

Outro ponto a ser discutido na assembleia é o próximo Plano Quinquenal chinês, que definirá as prioridades do governo até 2030. O plano, com 141 páginas, foca no desenvolvimento da inteligência artificial, na segurança energética e na reativação do consumo. A aprovação do plano é considerada certa, já que o Congresso é controlado pelo Partido Comunista.

A assembleia ocorre semanas antes da visita de Donald Trump a Pequim, onde ele realizará uma cúpula de três dias com o presidente chinês, Xi Jinping. Entre os temas a serem abordados, estão a situação de Taiwan e questões relacionadas ao comércio de tecnologia.

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