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Internacional

Conflito no Irã revela divisões entre países do Brics, Brasil em posição delicada

Amanda Rocha
Última atualização: 5 de março de 2026 10:23
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A escalada do conflito no Oriente Médio, iniciada por ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, gerou reações diplomáticas divergentes entre os países do Brics. Rússia e China mantêm relações estreitas com Teerã e se opõem à influência militar dos EUA na região, enquanto a Índia e alguns membros árabes do bloco têm vínculos mais próximos com Washington e Israel.

O Brasil, representado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, também se manifestou contra os ataques. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro emitiu uma nota no dia 28 de fevereiro, condenando as ações israelo-americanas. “O governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã”, afirmou o Itamaraty.

Na segunda-feira, o Brasil divulgou uma segunda nota sobre o conflito, na qual condenou os ataques de retaliação do Irã. “O Brasil insta todas as partes a respeitar o Direito Internacional e condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito”, destacou a nota, que também expressou solidariedade a países árabes que sofreram ataques iranianos.

O presidente russo, Vladimir Putin, classificou a ofensiva e a morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, como uma “violação cínica de todas as normas de moralidade humana e do direito internacional”, conforme reportado pela agência de notícias russa Tass. Moscou mantém uma relação estratégica com Teerã, especialmente na área militar, sendo o Irã um dos principais fornecedores de drones utilizados pela Rússia na guerra na Ucrânia.

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A China, um dos maiores compradores do petróleo iraniano, também condenou os ataques. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, afirmou que a ofensiva representa uma “grave violação da soberania e da segurança do Irã” e declarou que Pequim “se opõe firmemente” à ação.

Por outro lado, a Índia evitou condenar diretamente a ofensiva dos EUA e Israel, mas o primeiro-ministro Narendra Modi criticou os ataques do Irã contra bases americanas no Golfo. Seu governo tem ampliado a cooperação estratégica com Israel, especialmente na defesa. “A Índia condena os recentes ataques à Arábia Saudita em violação da sua soberania e integridade territorial”, disse Modi em seu perfil no X.

Entre os países árabes que recentemente se juntaram ao Brics, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, as declarações se concentraram nas retaliações iranianas, condenando os disparos de mísseis contra suas bases militares como uma violação de soberania. Em junho de 2025, o Brics havia divulgado uma nota conjunta sobre ataques ao Irã, mas uma posição unificada sobre o atual conflito é considerada improvável.

Uma fonte do governo brasileiro indicou que a dimensão da crise e a presidência rotativa do bloco estar nas mãos da Índia dificultariam um posicionamento semelhante ao adotado no ano passado.

TAGGED:BricsconflitoDiplomaciaItamaratyLuiz Inácio Lula da SilvaMinistério das Relações ExterioresNarendra ModiVladimir Putin
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