A Polícia Antiterrorismo de Londres prendeu três homens sob suspeita de espionagem para a China na quarta-feira, 4 de março de 2026. Entre os detidos está David Taylor, marido da parlamentar Joani Reid, do Partido Trabalhista.
As prisões fazem parte de uma investigação sobre crimes de segurança nacional relacionados ao regime chinês. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, enfrenta críticas por sua postura considerada branda em relação a Pequim.
David Taylor, de 39 anos, é um executivo de alto escalão na Asia House, um think tank que promove diálogos entre a Ásia e a Europa. Ele possui laços estreitos com o Partido Trabalhista em Gales, onde atuou como assessor especial do secretário Peter Hain.
Tanto Taylor quanto os outros dois suspeitos, dois homens de 43 e 68 anos, ambos ex-conselheiros trabalhistas, foram libertados sob fiança nesta quinta-feira, 5 de março.
““Nunca vi nada que me fizesse suspeitar que meu marido tenha quebrado alguma lei”, disse Joani Reid em comunicado.”
A parlamentar ressaltou que não participa das atividades comerciais de Taylor, nunca tratou de assuntos relacionados à China e pediu respeito à sua privacidade e à de seus filhos.
““Até onde sei, nunca conheci enquanto deputada nenhuma empresa chinesa, diplomatas chineses ou funcionários do governo, nem levantei qualquer preocupação com ministros ou qualquer outra pessoa em nome de, mesmo coincidentemente, interesses chineses”, afirmou Reid.”
As autoridades não forneceram muitos detalhes sobre o inquérito que levou às prisões, mas o jornal britânico The Guardian informou que os serviços de segurança do Reino Unido intensificaram a vigilância sobre possíveis interferências estrangeiras.
O caso agrava a tensão diplomática entre Londres e Pequim, sendo que não é a primeira prisão por espionagem chinesa. Em 2024, dois homens, Christopher Cash e Christopher Barry, foram detidos por fornecer informações de Estado a um membro do Partido Comunista Chinês.
Cash, na época, era pesquisador especializado na China a serviço da deputada conservadora Alicia Kearns, enquanto Barry era acadêmico. Ambos foram acusados sob a Lei de Segredos Oficiais, mas as acusações foram retiradas pelo Ministério Público da Inglaterra e do País de Gales antes do julgamento.
Esse episódio aumentou a pressão sobre o premiê Starmer, com opositores acusando o governo de não fornecer provas suficientes para a condenação. Starmer tentou desviar a atenção para a gestão conservadora anterior, que não designou a China como “ameaça à segurança nacional”, algo contestado pela atual líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch.


