Líder religioso pode enfrentar pena de até nove anos por abuso sexual

Amanda Rocha
Tempo: 2 min.

O Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou a condenação de Paulo Roberto Silva e Souza, fundador da Igreja Céu do Mar, localizada em São Conrado, por violação sexual mediante fraude contra sua ex-assistente, a advogada Jéssica Nascimento de Souza.

A promotora Flávia Abido Alves assinou um parecer que considera comprovadas a materialidade e a autoria do crime durante uma audiência realizada em janeiro. A pena solicitada varia de três a nove anos de reclusão, com agravantes devido à posição hierárquica do réu e à relação de trabalho mantida com a vítima.

Segundo a denúncia, os abusos ocorreram no contexto de práticas terapêuticas e espirituais conduzidas por Paulo Roberto, que é psicólogo. A vítima, que buscava apoio na congregação religiosa para tratar a depressão, passou a sofrer manipulação psicológica e investidas sexuais durante sessões individuais, incluindo o uso de substâncias psicoativas fornecidas pelo líder.

A promotoria enfatiza que a relação de poder espiritual e laboral impossibilitava qualquer consentimento livre por parte de Jéssica. Além disso, a acusação destaca que o caso não é isolado: pelo menos outras seis mulheres relataram ter sofrido abusos semelhantes pelo religioso, algumas durante as chamadas “terapias de cura” ou “terapias bioenergéticas”.

Uma carta aberta de uma americana, publicada em dezembro de 2025, descreve violação e humilhação, mencionando um e-mail em que o acusado pedia perdão por “desvios” atribuídos a influências espirituais. No Conselho Regional de Psicologia do Rio, há registro de denúncia contra o profissional.

O pedido do MP argumenta que houve abuso de confiança e autoridade, com práticas reiteradas e fraudulentas. A defesa de Paulo Roberto tentou suprimir uma das provas apresentadas, alegando que teria sido incluída após o prazo legal.

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