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Leitura: Agronegócio brasileiro enfrenta riscos devido a conflitos no Oriente Médio
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Agronegócio

Agronegócio brasileiro enfrenta riscos devido a conflitos no Oriente Médio

Amanda Rocha
Última atualização: 5 de março de 2026 15:58
Amanda Rocha
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Tempo: 5 min.
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A escalada do conflito no Oriente Médio, iniciada após ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã em 28 de fevereiro de 2026, acendeu um alerta no agronegócio brasileiro.

O episódio pode gerar impactos econômicos relevantes, especialmente sobre exportações agrícolas, custos de produção e logística internacional. Segundo estudo do Insper Agro Global, o Oriente Médio é um mercado estratégico para o Brasil.

Em 2025, a região absorveu US$ 12,4 bilhões em exportações do agronegócio brasileiro, o equivalente a 7,4% das vendas externas do setor. Entre os principais destinos estão Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

O Irã se destaca como parceiro comercial importante. Em 2025, o país respondeu por US$ 2,9 bilhões em compras de produtos agropecuários brasileiros, representando 23,6% das exportações do Brasil para o Oriente Médio.

““O Oriente Médio é um mercado relevante para o agronegócio brasileiro e, em algumas cadeias específicas, a região se tornou parte estrutural do escoamento da produção”, afirma Marcos Jank, professor do Insper.”

Mais do que o valor agregado das exportações, o ponto de maior preocupação está na dependência de determinados produtos em relação ao mercado regional. O Oriente Médio absorve 29% das exportações brasileiras de carne de frango (1,5 milhão de toneladas), 31,5% das exportações de milho (12,9 milhões de toneladas), 17% das vendas externas de açúcar (5,8 milhões de toneladas) e 6,5% das exportações de carne bovina (220 mil toneladas).

No caso do milho, a exposição é ainda maior. O Irã foi o principal comprador do produto brasileiro em 2025, adquirindo cerca de 9 milhões de toneladas, o equivalente a 22% de todo o milho exportado pelo Brasil naquele ano.

““Uma eventual disrupção prolongada nesses mercados pode gerar riscos comerciais relevantes, especialmente para cadeias que dependem fortemente das exportações para a região”, explica Jank.”

Embora o mercado interno ainda absorva mais de 70% da produção nacional de milho, o crescimento das exportações tornou o comércio internacional um canal relevante para escoamento da safra. Assim, eventuais interrupções nas compras da região podem gerar pressão sobre preços e logística.

Outro fator de preocupação está nas rotas estratégicas do comércio global. O conflito aumenta a instabilidade em dois pontos-chave do transporte marítimo internacional: Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e gás natural, e Bab el-Mandeb, rota essencial que conecta o Mar Vermelho ao Canal de Suez.

Problemas nessas passagens podem provocar desvios de rotas, aumento no custo do frete e encarecimento do seguro marítimo, elevando as despesas logísticas de exportadores.

““A instabilidade nessas rotas estratégicas pode gerar um choque de oferta com impactos que vão além da região e atingem cadeias produtivas globais”, destaca Jank.”

O impacto também pode chegar ao campo brasileiro por meio dos fertilizantes e da energia. O Oriente Médio é fornecedor relevante de insumos agrícolas. Em 2025, 15,6% dos fertilizantes nitrogenados importados pelo Brasil vieram da região.

Além disso, o Golfo Pérsico concentra grande parte da produção e exportação global desses insumos. Estima-se que cerca de 45% da ureia exportada no mundo, 25% da amônia e 20% do fosfato diamônico (DAP) circulem por rotas associadas à região.

Conflitos geopolíticos tendem a elevar o preço do petróleo e do gás natural, insumos fundamentais na produção de fertilizantes nitrogenados. Esse movimento pode pressionar os custos de produção agrícola no Brasil.

““Choques no mercado de energia acabam se transmitindo rapidamente para o custo dos fertilizantes e, consequentemente, para a estrutura de custos da produção agrícola”, afirma Marcos Jank.”

Especialistas avaliam que a magnitude dos efeitos dependerá da evolução do cenário militar e da continuidade do fluxo marítimo internacional. Se as tensões forem rapidamente contidas, o impacto deve se limitar a volatilidade temporária nos preços de fretes, energia e insumos.

Por outro lado, uma escalada prolongada pode provocar pressões mais fortes sobre custos, margens e decisões de produção no agronegócio. Mesmo diante das incertezas, o setor agrícola brasileiro tem mostrado capacidade de adaptação e diversificação de mercados.

TAGGED:AgronegócioCustos de ProduçãoexportaçõesInsper Agro GloballogísticaMarcos JankOriente Médio
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