Os preços do petróleo fecharam em forte alta nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, com o Estreito de Ormuz, responsável por mais de 30% do fluxo mundial de petróleo, fechado devido à escalada da guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irã.
O Brent para maio subiu 4,93%, alcançando US$ 85,41 o barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). O petróleo WTI (West Texas Intermediate) dos EUA teve um aumento de 8,51%, atingindo US$ 81,01 por barril, o maior nível desde 2024.
A fundadora da SHS Investimentos, Adriana Ricci, comentou que a alta se deve ao mercado precificando o risco de interrupção da oferta global.
““Os ataques, paralisações de produção e riscos logísticos aumentaram muito o prêmio de risco geopolítico no preço. O mercado teme bloqueios ou ataques no Estreito de Ormuz, visto que a redução do fluxo aumenta o custo do petróleo”,”
afirmou Ricci.
Segundo Bruno Bressa, sócio da KPMG, o mercado já considera um combustível mais caro, com a alta do dólar, aumento da aversão ao risco e pressão inflacionária global. Ele alertou que, se o conflito continuar, o petróleo pode testar os US$ 90 e US$ 100 por barril, o que pode impactar ainda mais a inflação e o custo de energia.
““Com uma inflação mais pressionada, expectativa de queda dos juros tende a diminuir, já que, para controlar a inflação, os juros básicos podem precisar permanecer elevados por mais tempo, o que acaba limitando o ritmo de crescimento e desenvolvimento econômico no país”,”
concluiu Bressa.
O conflito começou no sábado, 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano. Isso resultou na redução do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte global de petróleo.
Após o início do conflito, o petróleo Brent disparou 12% na abertura do mercado futuro. Um funcionário da missão naval da União Europeia, Aspides, informou que embarcações receberam transmissões da Guarda Revolucionária do Irã, afirmando que
““nenhum navio pode passar pelo Estreito de Ormuz””
.
Para evitar riscos, centenas de navios ancoraram no Golfo do Oriente Médio, e empresas de navegação redirecionaram suas rotas. O tráfego total no Estreito diminuiu cerca de 75% até o final do sábado, em comparação com o dia anterior, segundo um analista sênior de risco e conformidade da empresa de dados Kpler. A região enfrenta a maior parada comercial desde a pandemia.


